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Pr.Valdemir Sarmento de Almeida

Salmo 148:1-14

 Aleluia!

 Louvai ao Senhor do alto dos céus,

 louvai-o nas alturas.

 Louvai-o, todos os seus anjos;

 louvai-o, todas as suas legiões celestes.

 Louvai-o, sol e lua;

 louvai-o, todas as estrelas luzentes.

 Louvai-o, céus dos céus

 e as águas que estão acima do firmamento.

 Louvem o nome do Senhor,

 pois mandou ele, e foram criados.

 E os estabeleceu para todo o sempre;

 fixou-lhes uma ordem que não passará.

 Louvai ao Senhor da terra,

 monstros marinhos e abismos todos;

 fogo e saraiva, neve e vapor

 e ventos procelosos que lhe executam a palavra;

 montes e todos os outeiros,

 árvores frutíferas e todos os cedros;

 feras e gados,

 répteis e voláteis;

 reis da terra e todos os povos,

 príncipes e todos os juízes da terra;

 rapazes e donzelas,

 velhos e crianças.

 Louvem o nome do Senhor,

 porque só o seu nome é excelso;

 a sua majestade é acima da terra e do céu.

 Ele exalta o poder do seu povo,

 o louvor de todos os seus santos,

 dos filhos de Israel, povo que lhe é chegado.

 Aleluia!

Escolhi este tema por entender que o Louvor tem muita importância e infelizmente, muitos não entendem do porque D´us ter criado o Louvor. Desde pequeno, temos aprendido que a adoração é o reconhecimento de D´us pelo que é e que o Louvor é o reconhecimento dos seus atos. Não podemos afirmar que este conceito esteja errado, mas, certamente, está incompleto. Torna-se vazio a ideia de que louvor é o reconhecimento dos atos de D´us.

A Bíblia nos dá um claro discernimento de que o Senhor imprimiu em sua criação a Sua personalidade. Diz o salmista (Sl.19:1-4): “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo.”

Davi, aqui, teve uma importante revelação do louvor! Ele entendia que o louvor ia além do reconhecimento. Ele afirma que os céus manifestam a Glória de D´us e o firmamento anuncia as obras de suas mãos. Ou seja, a própria criação está envolvida com a manifestação do Senhor, ele imprime sua identidade, seu caráter em sua criação. Isto torna a criação muito mais significativa, porque ela não existe apenas para embelezar nossa vida, mas para manifestar a Glória de D´us. Acho medíocre pensarmos que a Glória de D´us tem que se manifestar apenas em uma reunião de culto ou dentro de nossos templos evangélicos! Não! Não é isso! Se pensarmos assim, não entendemos a Glória de D´us. A Glória de D´us existe para se manifestar sobre toda a sua criação. Isto dá sentido ao nosso louvor. Porque louvar não é somente reconhecer, mas discernir o propósito de existência da criação!

O texto inicial nos mostra que não é somente o homem quem deve adorar a D´us, mas toda a criação. O Sol, a Lua, vento, montes, animais, árvores, anjos, enfim, todas as coisas criadas devem louvar a D´us. Portanto, não é somente o homem chamado para louvar ao Senhor, mas todas as coisas criadas. Mas a pergunta que devemos fazer é: “Como pode a criatura louvar ao criador, principalmente as inanimadas?”

Não há um descompasso teológico neste texto. O que vemos claramente aqui é que toda a criatura, viva ou não, tem a responsabilidade de louvar ao Senhor. E esse louvor não é necessariamente o reconhecimento da autoria da criação, até porque as montanhas não teem essa capacidade, mas é o cumprimento do papel de existência. Observe que ao serem criados os montes, certamente eles tinham uma função a cumprir. E quando eles cumprem seu papel de existência, somente aí eles louvam ao Senhor com significado.

Isto é muito importante, porque louvar a D´us não é ir à uma reunião e fechar seus olhos ou levantar as mãos na hora da música e muito menos sentir vontade de chorar no afã da melodia ou palavras proferidas na eloquência de uma harmonia entre as palavras e a música. Vai muito mais além!

LOUVOR É O CUMPRIMENTO DO

PROPÓSITO DE EXISTÊNCIA DA CRIATURA

Todos fomos criados para cumprir um papel específico. Não falo apenas de seres humanos, estou me referindo a todas as coisas criadas, sejam elas visíveis ou invisíveis. Quando o Eterno imprimiu seu caráter, sua personalidade na criação, Ele tinha em mente que essa criação cumprisse seu papel. Quando D´us pensou nas águas, Ele queria que esta cumprisse seu papel de saciar a sede dos animais e dos seres humanos, que também pudesse conceder vida aos seres marinhos, criou as aves para voarem e os pássaros para sonorizar a terra, com seus belos cantos matinais; criou os animais ferozes para dominarem e se ordenarem em grupos mantendo o equilíbrio e assim com todas as demais coisas. Quando D’us criou o homem, criou para que pudesse ser a Sua Imagem conforme a Sua Semelhança. O não cumprimento deste propósito implica em uma séria interrupção de Louvor ao Senhor, porque louvar é cumprir o papel de existência.

Não podemos fechar os olhos e vivermos ludibriados pela ilusão de que estamos louvando a D´us pelo fato de termos cantado uma linda canção em sinceridade, ou coisa parecida. ISTO NÃO É LOUVOR!

Louvem-te os povos, D´us. Louvem-te os povos todos!

Que saibamos qual é o nosso papel de existência e vivamos a cada dia ele para que nossa vida seja de louvor genuíno, porque aí, sim, estamos reconhecendo a criação!
A CRIAÇÃO DESEJA LOUVAR AO SENHOR

O apóstolo Paulo afirma em Romanos que a criação geme com dores de parto, esperando a manifestação dos filhos de D´us. Se lermos este texto com a lente do louvor como cumprimento do propósito de existência, certamente ele terá uma implicação muito mais abrangente e profunda em nossa vida. Porque ao homem foi dado, para o louvor de D´us, isto é, como propósito de existência, o domínio sobre as coisas criadas. Nós somos responsáveis pela criação porque a dominamos. E este é o motivo pelo qual a terra geme pela manifestação dos filhos de D´us. No pecado, o homem que era a Imagem de D´us, se submete aos desejos do próprio coração ambicioso, ouvindo as ludibriações da serpente no Éden, comprometendo o propósito de sua existência, mas em Cristo, somos feitos Filhos de D´us. E são estes que recuperam o propósito de sua existência, voltando a dominar sobre a terra e todas as coisas criadas. Portanto, louvar a D´us também é dominar sobre a Terra, exercendo ativamente o papel de Imagem e Semelhança do Senhor.

Que possamos refletir nesta verdade e recuperarmos em Yeshua o nosso papel de existência para podermos louvar a D´us verdadeiramente.

Pr.Valdemir Sarmento de Almeida