ATÉ QUE A “GLÓRIA” NOS SEPARE

Tenho acompanhado, ao longo dos meus 13 anos de ministério a vida de muitos casais. Especialmente os mais jovens e o que tenho visto é surpreendente. Fico extremamente assustado em me deparar com a triste realidade de que muitos jovens não estão preparados para casar e mesmo assim, assumem tão importante compromisso diante do Altar do Senhor.
Como conseqüência, muitos tem desistido do santo matrimônio e em também da fé. Vidas são maculadas com o divórcio e uma ferida sem precedente é aberta na alma dos cônjuges. Mas a que se deve tão perturbadora realidade? O que fazer para reverter este quadro? E por que tem aumentado drasticamente o número de divórcio nas Igrejas? E o mais importante de tudo: Qual deve ser a postura da Igreja diante desta calamidade? Aliás, o que a Igreja tem feito para curar este mal que assola nossas comunidades e sociedade brasileira?
A primeira coisa que temos que ter em mente é se o casamento é algo ultrapassado. Se olharmos dentro do contexto de nossa sociedade pecaminosa, certamente não cabe mais o matrimônio. Hoje mesmo, estive passeando em um shopping da cidade, quando uma cena de um veículo me chamou a atenção. Estava sendo exposto um veículo compacto, o mais compacto que já vi, a um preço de um veículo de grande porte. A primeira coisa que me veio a mente era que aquele veículo não teria venda porque o brasileiro certamente iria optar pelo veículo maior para comportar a família…, mas que família? Era exatamente por esse motivo que aquele veículo teria vendagem no Brasil, pois ele vai suprir muito bem a necessidade de um indivíduo.
A família está se desfacelando justamente porque o homem se tornou tão egoísta que já não mais se preocupa em viver em sociedade. Até o seu meio de transporte pode ser para no máximo duas pessoas. Tudo para o bem estar do indivíduo e não para a sociedade. Onde estamos?
Os filhos estão sendo preparados para cuidar de suas próprias vidas e o próximo é apenas alguém que cumprimentamos e, quando muito oramos, nas reuniões de culto. As moças já não estão preparadas para cuidar do maior patrimônio que D’us lhe deu, a Família. Agora o que realmente impera é a própria Glória.
Todos nós não estamos medindo esforços pelo nosso bem estar. Estamos fazendo todo o sacrifício para que possamos nos dar bem na vida. Desde pequenos, somos treinados a competir no mercado de trabalho e somente assim poderemos alcançar felicidade. A vida espiritual e o relacionamento com D’us são meros coadjuvantes diante da vida que estamos conquistando com o nosso próprio braço.
Não nos resta outra coisa senão a nossa própria felicidade. Mas a grande decepção é saber que quando se chega lá, a felicidade não está lá.
E trazendo isto para o casamento, teremos a mesma triste realidade.
Muitos fazem juras de amor no altar com a convicção de que aquela pessoa linda, será a responsável por fazê-la(o) feliz, porque o que interessa é a própria Glória, mas, em hebraico a raiz da glória humana é VAZIO. O que significa que todos os que fazem alguma coisa para a sua própria felicidade, certamente se frustrarão, porque a verdadeira felicidade está em viver a vida como Yeshua viveu. Ele se doou até a morte e morte de Cruz. Não por causa de uma religião, mas por causa de um amor completo, pleno, o Amor de D’us.
O que nos falta, como sociedade, é esta visão da felicidade no outro que perdemos ao longo da vida. Muitos casamentos são destruídos por causa da Glória individualista que os casais estão tendo. Estava caminhando no parque de minha cidade, quando diante de mim um casal novo com um bebê de aproximadamente 1 aninho, estava discutindo quanto tempo deixariam a criança na casa dos pais dela (o casal aparentava ter boas condições, pois moram em uma região nobre da cidade). Eles estavam sem tempo para educar a criança e por isso estavam querendo deixar com os pais.
Ainda no shopping deparei-me com uns três casais de idosos caminhando com seus netos. Tive a oportunidade de elogiar um deles por ter tirado um tempinho para caminhar com o neto no shopping, mas fui surpreendido ao saber que o filho havia deixado o neto morando com os avós por determinado período POR NÃO TER TEMPO PARA O FILHO.
Esta é uma realidade atual.
A Igreja está sendo vítima deste egocentrismo que tem assolado famílias e casamentos. Os maridos não estão se preparando para dar a sua vida pela esposa e nem a esposa para amar o marido e reconhecer que a sua casa é a maior riqueza que ela possui.
Esse caos é uma realidade! Chega de destruição!
A base de um casamento não pode ser atração sexual ou física, mas o profundo desejo de amar o próximo como a si mesmo, de servir com a própria vida.
Os principais valores do indivíduo estão sendo jogados pela lixeira e somente a Igreja pode reverter este quadro tocando sua “trombeta” com todas as forças. Vamos denunciar este egocentrismo. É tempo de aprendermos que o próximo é a nossa prioridade.
Somente assim o Reino de D’us se manifestará em nossas casas e comunidades.
Shalom sobre a sua vida e família em Nome de Yeshua Hamashiach.
Pr.Valdemir Sarmento de Almeida
