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chamado, dons espirituais, Espírito Santo, igreja, liderança, manifestação do Espírito, ministério, missões, poder, reino de deus, testemunhas
Pr. Valdemir Sarmento de Almeida
Tenho meditado sobre o Chamado da Igreja para os nossos dias. É interessante entendermos que o propósito de D´us para a Sua Igreja, começa em Gênesis ao criar o Homem a Sua Imagem conforme a Sua Semelhança.
Nunca esteve na natureza do Senhor destruir sua criação, mas, sim, restaurá-la. Acho muito profundo a ideia de que Ele acredita nesta restauração da criação em sua integralidade.
Em Gênesis, ao pecar como o dominador da Criação, Adão submete-a ao julgo do pecado e domínio de satanás. Isto trouxe deformação a toda Criação, incluindo o homem. Pensando nisto, devemos refletir: “Será que Ele planejou esta queda?”
Alguns podem dizer que “sim”, por pensarem que Ele não teria Soberania sobre as escolhas feitas pelo homem. Mas isto nunca comprometerá a Soberania do Senhor, pois, todos os caminhos foram por Ele criados e quando Ele nos dá a oportunidade de escolha, certamente, é por um dos caminhos que Ele tem o domínio e total Senhorio.
Nos versos 16 e 17 de Gênesis 1 temos uma ordem muito interessante da parte de D´us: “E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”
“… lhe deu esta ORDEM…” – Esta palavra no hebraico é Tzavah = mandar, incumbir, designar. Portanto o homem recebeu uma missão de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Esta ordem tem o mesmo peso da ordem dada por Jesus em Mateus 28:19-20. Se Ele estivesse planejando a queda, certamente, estaria dando uma ordem para ser desobedecido. Isto significaria que existiriam coisas que D´us falaria e que não se cumpriria. Seria muito difícil absorvermos este tipo de compreensão. Porque inclusive o texto de Mateus 28 se encaixaria nestas condições.
Mas ao entendermos que ao dar a ordem, D´us dá ao homem condições para obedecer, então entendemos que a este cabe a Vontade (escolha) de viver para a Glória de D´us. Certamente Adão poderia e deveria ter obedecido, pois ele não estava predestinado ao pecado, mas, sim, a ser Imagem e Semelhança de D´us.
As deformidades que aconteceram, frustraram o coração de D´us, pois assim como Ele é, queria que fôssemos, inclusive com o poder de escolha já que somos Sua Imagem conforme a Sua Semelhança. Nisto reside um dos maiores milagres de D´us, em constituir o homem com a sua própria natureza e poder de escolha. Ele vai respeitar nossas decisões e nem vai interferir porque Ele não pode ser interferido em Suas próprias decisões. Adão podia pecar e pecou, o homem pecador pode ser restaurado, se quiser. Cabe a nós, trabalharmos nesta proclamação. Basta lembrarmos que o Espírito de D´us estava sobre Adão permanentemente até os dias de Noé e isto não impediu que os homens pecassem até os dias de Noé.
Por isso, não podemos pensar que a Presença do Espírito Santo é sinônimo de ausência de pecado, muito menos que é fraco em seus argumentos de convencimento do homem, porque não se trata de poder de convencimento, mas de obediência e vitória sobre nossas próprias vontades. Como afirma Paulo em efésios 4:30: “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados e para o dia da redenção.” – entristecer = também tem a ideia de extinguir, apagar o Espírito. Creio que não podemos denominar isto de ação frustrada do Espírito Santo. Se entendermos que Ele trabalha para nosso convencimento, mas limitando-se em nossa decisão pessoal, entendemos que isto será mais do que justo para que no dia do juízo ninguém possa dizer que não teve “argumento” suficiente.
Mas, passados pela queda do Éden, vemos D´us trabalha para a restauração da Criação. E tudo o que acontece de Gênesis 3 à Apocalipse 20, trata desse trabalho de D´us para que a redenção aconteça.
Mas como o Senhor trabalha?
Voltando a pensar em Gênesis, observamos que “o Espírito de D´us pairava sobre a face das águas” (Gn.1:2)
O Espírito do Pai está sobre a Criação, isto é muito importante porque revela que D´us não quer apenas usufruir de Sua Criação, mas que Ele interage pessoalmente, envolvido em Seu Espírito, com a Sua Criação. Pela criação, os homens deveriam reconhecer claramente “os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade” (Romanos 1:18-20)
O Espírito Santo não apenas revela o Criador na Criação, mas também ao Criador a criação (e viu D´us que era bom). É o Espírito que vai testificando o sentido e a ordem da Criação, isto vai glorificando a D´us. Ele ministra as verdades do Reino, Governo de D´us à Criatura. Porém, é importante salientarmos que a Criatura precisa de Ordem e que existe uma criação dominadora sobre a criação que é o próprio homem. Como Imagem e Semelhança de D´us, o homem é o ministrador direto do Espírito sobre a Criação, sendo o responsável por apresentá-la ao Pai em conformidade com Sua Vontade. É por este motivo pelo qual o Espírito de D´us habitava e hoje também habita no homem.
Portanto, a Presença do Espírito de D´us tem a ver, diretamente, com a Vontade de D´us. Vontade e Espírito são correlações da Plenitude de D´us, “pois quem conheceu a mente do Senhor, ou quem foi o Seu conselheiro?” Embasados na realidade de que a Vontade de D´us está atrelada ao Espírito d´Ele, então podemos concluir que a Palavra de D´us é uma ação direta do Espírito de D´us para harmonizar a Criação para que a Sua Plenitude possa se manifestar.
Espírito e Vontade
O Espírito Santo é, portanto, aquele que ministra o Senhor em nosso espírito e sobre a Criação. Para isso, Ele precisa, primeiramente, agir na vida de quem tem o domínio sobre a Criação, o homem. Embora todos tivessem caído, o homem somente por ser humano, já está predestinado à restauração, isto, porque ele é o dominador natural da Criação. Vemos então, D´us trabalhando no coração do homem para convencê-lo de seu pecado de independência, através da Palavra, gerando assim, um coração submisso à Vontade de D´us. Em Gênesis 6, o Senhor chega a um momento de frustração, ao observar que o pecado aumenta. É importante entendermos que essa frustração não é fruto de uma surpresa desagradável, porque o Senhor tem a ciência de todos os fatos, mas Ele não interfere nos caminhos do homem. Aliás, Ele é quem mais acredita na restauração do homem, por esse motivo se frustrou. Por isso, Ele afirmou que o “Seu Espírito não agiria mais no homem, porque este é carnal.” O que vemos neste texto é exatamente o confronto das vontades – A Vontade de D´us X A Vontade do Homem.
Nesta posição temos visto o quanto ainda precisamos ser convencidos pelo Espírito de D´us e por isso não podemos extingui-lo!
O Senhor levantou um homem, Abraão. Este homem não era perfeito, mas decidiu viver a Vontade de D´us. E caminhou dentro da Vontade do Senhor, por esse motivo, sua fé foi exemplo para a humanidade. Ele sacrificou mais que a própria vida, sacrificou seu filho. Embora Isaque não tivesse sido sacrificado literalmente ao descer aquele cutelo, Abraão testificou que a Vontade de D´us era Soberana. Por isso quem parou o cutelo não foi o braço de Abraão, mas o Anjo do Senhor. A fé de Abraão foi o resultado da Obediência de um homem em cumprir a Vontade de D´us pela ação do Espírito Santo sobre ele. De Abraão surge uma nação, Israel, que deveria seguir neste molde = Espírito/Vontade = restauração da Criação, mas que embora tivesse a manifestação do Espírito, em muitas ocasiões ficou comprometido por optarem pela Vontade própria. O discernimento que tiveram foi resultado de suas próprias escolhas, mesmo o Espírito agindo no meio deles. Estes foram chamados por Paulo de povo de D´us (Rm.9).
Vem Cristo, revelar que a Vontade do Pai pode ser feita pela Criação, porque D´us nunca deixou de acreditar no homem. Enviou o Verbo Eterno para que pudesse ser encarnado. O Verbo é o responsável por criar e manter a Criação de acordo com a Vontade de D´us, enquanto que o Espírito Santo é o Senhor desfrutando e se revelando à Criação. O Verbo pode se encarnar, porque todas as coisas foram feitas por intermédio d´Ele. Ele é quem construiu todas as coisas tendo elementos para se encarnar sem ferir a ideia de humanidade. Por isso a encarnação do Verbo não afeta a humanidade de Jesus e muito menos o princípio da Criação da humanidade. Isto significa que Jesus Cristo não foi menos homem que Adão ou mais D´us que Abraão. Ele foi homem igual Adão, Abraão, Davi…
O que é perfeitamente possível, pois o Verbo é o construtor do homem.
O homem perfeito em quem há o Espírito de D´us era exatamente como fora o primeiro Adão.
Alma Vivente X Espírito Vivificante
O primeiro Adão fora feito alma vivente – nefesh – ser vivo, com desejos, emoções, paixões. Isto porque ao ser criado, nada da alma de Adão estava corrompida, mas após o pecado toda a alma humana ficou comprometida com o pecado, salientando a vontade da carne, opondo-se assim, à Vontade de D´us. O segundo Adão vem com o espírito vivificante, o que tem a ver com o propósito de D´us em restaurar o homem a partir de seu espírito. É como se Jesus nascesse restaurado! Porque ao nascer, Ele representa o homem caído, mas sem pecado. Seu espírito é uma fonte de vida, pois está conectada com o Espírito de D´us (que paira sobre a criação). Jesus como criação, recebe a presença do Espírito Santo para que o ensine a Vontade do Pai e seu espírito esteja ministrando a si mesmo o ser perfeito que foi, enquanto em vida na Terra. Este é o princípio para a criação. Jesus não nasce perfeito, Ele nasce restaurado! E é exatamente por causa dessa restauração que Ele tem condições de chegar à perfeição. Portanto, seres restaurados estão predestinados à perfeição Essa é a chave para entendermos o princípio da primogenitura de Jesus no contexto de sua humanidade.
Jesus, portanto, foi o homem perfeito que trabalhou para que a terra pudesse viver em conformidade com a Vontade de D´us pelo Espírito Santo. Quando o Senhor olhou para a Criação, viu que nem toda a Criação estava corrompida, porque havia um homem perfeito, Jesus, que ao invés de ser contaminado pelo pecado, usufruiria de sua condição de homem perfeito (Imagem e Semelhança de D´us) para, através de seu domínio (Gn.1:26), restaurar a Criação.
E eu com isso?
Você se perguntar: “E como isso afeta minha vida ministerial, meu chamado?”
Em tudo! E é exatamente isso que dá sentido a toda ação da Igreja. Quando Cristo estabeleceu a Igreja, Ele tinha em mente que ela fosse a proclamadora do Reino de D´us através da Vontade e Espírito. A Vontade de D´us está detalhada na Torá, em suas Leis, que são Perfeitas e Agradáveis. E o Seu Espírito é o que traz a vida dessa Lei sobre cada um dos membros da Igreja.
Por isso é que todos os homens são chamados para passar pela experiência do Novo Nascimento. Morrer em Cristo, negando sua velha natureza e nascer da Água e do Espírito. É muito importante entendermos que o nascer da água é uma necessidade consciente de quem está errado, vivendo no pecado. A Bíblia define esse nascimento da água (Jo.3) de Batismo de Arrependimento. E é claro que só pode se arrepender quem tem consciência de que está em pecado e o pecado só pode ser evidenciado, quando contrastado com a Lei/Vida de Cristo.
Este é o ministério da Igreja! Contrastar o pecado do mundo com a Lei de D´us. E isto só pode acontecer mediante uma vida de renuncia e discipulado com Cristo.
Infelizmente, muitas pessoas acham que o ministério da Igreja é manifestar milagres, obras grandiosas ou coisas semelhantes. Estas coisas são boas, mas não são o objetivo da Igreja, elas devem ser ferramentas para usarmos a fim de cumprir nosso objetivo. O apóstolo Paulo afirma que “tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele fôssemos feitos justiça de Deus.” 2Co 5:18-21.
Ele nos confiou o ministério da reconciliação (καταλλαγη katallage = restauração à situação favorável anterior; restauração). Este é o chamado mor da Igreja de Jesus. É neste ministério que D´us está envolvido a ponto de nos selar com Seu Espírito, encarnando o Verbo Eterno. Muito mais que mostrar poder de D´us, fomos chamados para anunciar a mensagem de Arrependimento dos pecados, para o homem que caminha longe dos mandamentos do Senhor. Àqueles que passam por este processo de arrependimento recebem o Espírito do Senhor para que sejam cooperadores dessa obra divina. A Presença do Espírito sobre nós significa que a Vontade D´us, que é a Palavra, está atuando em nossos corações. Por isso a Igreja não pode abandonar os Fundamentos da Palavra e nem a Vida de Comunhão no Espírito, pois sem isso, certamente, estaremos navegando nos mares do engano. É bom ressaltarmos mais uma vez que somente em Cristo, podemos resgatar esses elementos – Palavra (Vontade de D´us) e Espírito, para que possamos viver uma vida de Unidade e relacionamentos significativos.
Todos os dons e ministérios que temos desenvolvido devem estar focados nesta verdade, ao dobrarmos nossos joelhos para orar, ao abrir nossas Bíblias para estuda-la, ao participar das reuniões comunitárias e invocatórias, temos que estar focados em nosso ministério.
Mas para que este ministério tenha eficácia em nosso meio, precisamos entender que o Senhor trabalha em nós comunitariamente. Ele decidiu que a Sua Vontade e Seu Espírito fossem repartidos e vistos pelos homens quando atuamos juntos, sem maiores ou menores. Sermos todos Um, assim como Cristo é um com o Pai. É nesta Unidade que Paulo trabalha a Vida da Igreja em Éfeso (Ef.4).
Que esta verdade, possa abrir nossa mente e coração para atuarmos na restauração da Criação, sabendo que o Senhor anseia, muito mais que nós mesmos, ver o resultado do nosso trabalho n´Ele.
Oro, ao Eterno, que Ele possa trazer essas verdades ao nosso coração e que possamos nos unir na ação do Seu Reino, trazendo Sua Vida sobre todas as nações da Terra, fazendo discípulos em todos os lugares, pois afinal, é esse o nosso verdadeiro Chamado!





